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Drauzio – Os jovens estão despertando cada vez mais cedo para a vida sexual?
Mauricio de S. Lima – Se pensarmos que aos 15 anos 50% dos meninos e meninas já tiveram a primeira relação sexual, temos de concluir que a iniciação sexual está acontecendo mais cedo. Comparado com os dados obtidos não muitos anos atrás, o primeiro beijo também é uma experiência que ocorre mais cedo. Sem dúvida, essa precocidade é estimulada pelos meios de comunicação deste século XXI - Internet, TV, imprensa falada e escrita, bancas de jornal, etc. – e até por muitos pais que, por exemplo, aplaudem a dança erotizada da menina de cinco anos, mas se assustam e ficam preocupados quando ela, aos dez anos, começa a namorar.
Eu defendo que, apesar de todo o apelo à sexualidade, é preciso não saltar etapas e preservar a infância. Como não dá para fugir dessa exposição constante, o jovem deve ser informado sobre todas as questões que envolvem a sexualidade, sobre seus riscos e perigos, sempre lembrando que ela é um impulso normal e fonte de prazer. Por isso, é fundamental conversar com os jovens para que o sexo seja praticado com responsabilidade.
Drauzio – Muitos pais perguntam se devem puxar o assunto ou esperar que os filhos o façam.
Mauricio de S. Lima – Se os pais se sentirem à vontade, devem puxar o assunto, sim. Para tanto, podem valer-se de fatos do cotidiano. Se estiverem assistindo a uma novela ou a um outro programa de televisão e uma cena de sexo aparecer no vídeo, devem dar sua opinião sobre sua pertinência. Ou, então, o pretexto pode ser uma notícia ou um artigo publicados numa revista.
Para que essas oportunidades sejam aproveitadas, no entanto, os pais devem reservar momentos para o convívio com os filhos, para escutar suas histórias e expressar sua visão sobre determinados temas, como sexualidade e drogas, por exemplo. Muitos se queixam que os filhos não os ouvem - “Ah, eu falo, mas meu filho não me ouve”, argumentam. Ouvem, sim, e conhecer a opinião paterna é sempre muito importante para os adolescentes.
Agora, há pais que não se sentirem à vontade para manter esse tipo de conversa. Esses devem procurar a ajuda de um profissional de saúde para discutir essas questões com o adolescente. Não se pode esquecer de que ele recebe informações de todos os lados, mas continua imaturo.
Drauzio – É comum os meninos se preocuparem com o tamanho do pênis. Com que idade ele atinge seu tamanho definitivo?
Mauricio de S. Lima – É muito difícil classificar o desenvolvimento do adolescente de acordo com a idade cronológica. Um médico inglês chamado Tanner, em 1962, propôs uma classificação dos genitais masculinos, considerando o tamanho do pênis e o desenvolvimento dos testículos dentro da bolsa escrotal e a conclusão foi que estará dentro da faixa de normalidade o pênis que atingir o tamanho adulto entre os 12 e os 16 anos de vida do jovem.
Portanto, um menino de doze anos pode ter corpo e pênis de adulto, enquanto outro, da mesma idade, tem corpo e pênis de criança, mas ambos estão absolutamente dentro dos padrões esperados. Então, em caso de dúvida, o melhor a fazer é procurar um profissional de saúde.
É também importante salientar que o tamanho do pênis flácido não está diretamente relacionado com seu tamanho quando ereto. Portanto, dois pênis de tamanhos diferentes, um maior outro menor, quando eretos podem ter tamanho bem semelhante.
Realmente, os meninos se preocupam muito com o tamanho do pênis. Muitos chegam a comprar aparelhos, que não deveriam usar, acreditando na falsa promessa de que são capazes de aumentar o pênis.
Drauzio – Por que as moças têm libido mais instável do que os rapazes?
Mauricio de S. Lima – Se essa pergunta se refere ao desejo sexual, é importante lembrar que a mulher tem uma variação hormonal entre um ciclo e outro. Quando está ovulando, demonstra maior interesse pela relação sexual. Parece um artifício da natureza que visa à perpetuação da espécie.
Drauzio – Existe uma idade ideal para levar a menina pela primeira vez ao ginecologista?
Maurício de S. Lima – Não digo que exista idade ideal para levar ao ginecologista, nem é preciso esperar a primeira menstruação para que isso aconteça. O importante é que, assim como o acompanhamento do pediatra é indispensável quando os filhos são pequenos, o de um médico especializado em adolescentes é necessário nessa fase da vida. Na verdade, ele atua como um clínico geral que acompanha o crescimento, prescreve as vacinas necessárias orienta a alimentação e trabalha com questões relacionadas com a sexualidade e o desenvolvimento psicossocial dos adolescentes.
No entanto, se a menina engravidar, deve procurar auxílio logo e começar a fazer o pré-natal. O maior problema da gravidez na adolescência é que elas escondem o fato até o quarto, quinto mês de gestação, o que torna tudo mais complicado.
Drauzio – Existe uma idade determinada para o início da vida sexual?
Mauricio de S. Lima – Não existe. Há meninas que aos doze anos têm corpo de mulher e outras que só o terão aos dezesseis, dezessete anos. No entanto, como as relações sexuais estão acontecendo cada vez mais cedo, é preciso que disponham das informações necessárias também mais cedo para saber o que melhor lhes convém. Por isso, defendo que a educação sexual seja encarada de forma ampla e relacionada com a saúde em geral.
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